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Quanto mede a força de um soco?

Você já assistiu a uma luta de Muay Thai ou MMA e ficou se perguntando:
“Quanto será que mede a força de um soco?”

Essa dúvida faz sentido. Afinal, em lutas profissionais é comum vermos golpes causando cortes profundos, fraturas e nocautes impressionantes. Mas qual é a força real por trás de um soco desses?

No artigo de hoje, vamos explicar como a ciência mede a força de um soco, quais fatores influenciam esse resultado e o que os estudos mostram na prática.

Como medir a força de um soco?

Para medir a massa corporal usamos uma balança. Mas para medir a força de um golpe, o processo é completamente diferente.

Os pesquisadores utilizam um equipamento chamado plataforma de força.

O que é uma plataforma de força?

É um dispositivo que mede forças aplicadas sobre sua superfície. Normalmente, ela é usada no chão para analisar:

  • altura do salto
  • força de reação do solo
  • impulso
  • potência 
  • etc…

Para estudar golpes, os cientistas adaptam a plataforma, fixando-a verticalmente em uma parede e adicionando um aparador acolchoado sobre sua superfície para evitar lesões por impacto. Assim, o lutador golpeia o equipamento, e um software acoplado ao computador registra a força gerada.

Unidade de medida

Na física, força é medida em Newtons (N).
Para facilitar o entendimento, também converteremos esses valores para quilograma-força (kgf), uma medida mais intuitiva para a maioria das pessoas.

Variáveis que influenciam a força de um soco

A força de um soco não depende apenas “de ser forte”. Várias variáveis interferem nesse resultado:

  • Idade
  • Massa corporal
  • Sexo
  • Nível técnico
  • Nível de força muscular
  • Experiência na modalidade
  • Velocidade do movimento
  • Tipo de soco (jab, direto, cruzado, overhand etc.)

Ou seja: mesmo que duas pessoas tenham a mesma idade, peso e sexo, se uma delas tiver técnica superior, seu soco será significativamente mais forte.

O que os estudos mostram?

Uma meta-análise (estudo que analisa vários estudos juntos) investigou a força de diferentes tipos de soco.

Aqui, vamos focar no mais comum:

O soco direto (straight punch), usado no Boxe, Muay Thai e MMA.

Os resultados encontrados foram:

🔹 Força mais baixa registrada em um soco direto: 200 Newtons = Isso equivale a 20 kgf

🔹 Força mais alta registrada em um soco direto: 4741 Newtons = Isso equivale a 483 kgf (quase meia tonelada concentrada em um único soco).

🔹 Média ponderada dos estudos: 1659 Newtons = Isso equivale a 169 kgf 

Agora imagine receber esse golpe no queixo, sem proteção.
Não é surpresa que tantos lutadores terminem um combate com cortes, inchaços e até fraturas.

Há limitações nos estudos?

Sim. E é importante entendê-las.

A maior limitação é que as medições são feitas em laboratório, em ambiente controlado.
Isso significa que o lutador:

  • está parado ou com pouca movimentação,
  • está descansado,
  • não está sendo golpeado,
  • não sente adrenalina de luta,

Em uma luta real, fatores como:

  • deslocamentos,
  • esquivas,
  • contra-ataques,
  • fadiga,
  • pressão psicológica,
  • estratégia…

…podem alterar os valores.

Ou seja: a força real durante um combate pode ser maior ou menor, dependendo do contexto.

Conclusão

A ciência mostra que a força de um soco direto varia entre:

🔸 200 e 4741 N

🔸 aproximadamente 20 a 483 kgf

Essa é a força que um lutador treinado é capaz de gerar em um golpe direto — forte o suficiente para nocautear, causar lesões significativas e definir o resultado de uma luta.

Referências:

BERANEK, Vaclav; VOTAPEK, Petr; STASTNY, Petr. Force and velocity of impact during upper limb strikes in combat sports: a systematic review and meta-analysis. Sports biomechanics, v. 22, n. 8, p. 921-939, 2023.

LOTURCO, Irineu et al. Strength and power qualities are highly associated with punching impact in elite amateur boxers. The Journal of Strength & Conditioning Research, v. 30, n. 1, p. 109-116, 2016.

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Sarah Gomes | Ciência do Ringue

Bacharela e licenciada em Educação Física (UNICAMP); Pós-graduada em Bioquímica, Fisiologia, Nutrição e Treinamento Esportivo (UNICAMP) e Mestre na área de Biodinâmica do Movimento e Esporte (UNICAMP).